Sobre fundo branco, dispostas na vertical no canto inferior esquerdo “LINHA DA CULTURA” em letras garrafais na cor preta exceto a palavra “DA” em cinza. Ao lado, uma grande seta apontada para baixo, parte do logotipo do Metrô, preenchida por fotografia onde mostra dois homens indígenas em momento de celebração espiritual. À direita da imagem “QUARUP, UM RITUAL INDÍGENA PARA CELEBRAÇÃO AOS MORTOS”. Abaixo, “Fotógrafo: Paulo Henrique Cruz; Curadoria: Renato Negrão; Realização: Linha da Cultura”.

 

 

 

QUARUP, UM RITUAL INDÍGENA PARA CELEBRAÇÃO AOS MORTOS

Pensar na cultura dos povos indígenas é pensar na vida conectada à Terra e às relações com o meio ambiente. Eles não existem sem a floresta e dentro desse universo secular existe uma outra forma de ver a vida, bem diferente da maneira como as pessoas da civilização urbana enxergam.

Munido de seu equipamento fotográfico, Paulo Henrique Cruz viajou até o Alto do Xingu, no norte do estado de Mato Grosso, para acompanhar e fotografar o Quarup, uma celebração espiritual que acontece um ano após o falecimento de alguma pessoa ilustre da aldeia ou muito próxima ao Cacique, ultimando assim o luto familiar. Por isso, não existe uma data marcada no calendário para que a celebração aconteça, já que ela deve estar ligada a esse acontecimento.

A primeira decisão de Paulo foi pensar cuidadosamente no seu posicionamento diante de uma comunidade de povos que ele, como fotógrafo urbano, pouco conhecia. O resultado do seu trabalho dependeu muito dessa postura. Paulo se apresentou ao Cacique, pediu permissão e explicou por que desejava documentar essa celebração tão íntima e, graças a sua total honestidade, foi acolhido por toda a aldeia.

O que vemos nesta exposição é um convite para viajarmos até o Parque Indígena do Xingu. Ao nos apresentar o registro de um grupo de homens carregando um tronco de árvore que será depois esculpido pelo Cacique e seus guerreiros, Paulo nos conta sobre as etapas da cerimônia. Todo ritual é realizado em torno deste tronco em homenagem aos falecidos. As pinturas corporais de cores fortes com pigmentos extraídos da natureza trazem a simbologia necessária para cada guerreiro e os tocadores de flautas uruá anunciam à comunidade as meninas que se tornaram mulheres.

Esse rito de passagem, que objetiva trazer os mortos de novo à vida, se dá com dias de festa, muita dança e música produzida por instrumentos criados por eles, gerando uma grande conexão com a natureza e, principalmente, com os espíritos que habitam essa floresta.

A presente exposição é uma história contada por um fotógrafo que consegue reunir em seu trabalho uma destreza técnica e uma sensibilidade que o permite se aproximar do outro com muita humildade e, assim, trazer verdade em seus registros. O Quarup apresentado por Paulo Henrique Cruz é para o espectador uma aula de fotografia, um exemplo de como o fotógrafo deve se conectar com o tema e a história que ele deseja contar, além de ser um incentivo para que nós brasileiros saibamos mais sobre nossas raízes.

Renato Negrão
Curador
 
Fotógrafo: Paulo Henrique Cruz 
Realização: Linha da Cultura

 

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Paulo Henrique Cruz
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Renato Negrão
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